Bradesco não poderá abrir contas por 30 dias após mau atendimento




Procon aplicou restrições após série de autuações por filas, falhas no atendimento e reclamações envolvendo idosos e aposentados (Por Pedro Emerenciano) - foto Paulinho Costa feebpr - 

O Banco Bradesco foi alvo de medidas cautelares que suspendem parte das atividades comerciais depois de uma sequência de denúncias de mau atendimento a clientes. A decisão impede, por 30 dias, a abertura de novas contas, a captação de clientes e a venda de produtos como seguros, consórcios, previdência privada e títulos de capitalização em uma das agências da instituição.

A punição também proíbe ações de marketing e envio de ofertas comerciais. Caso as determinações sejam descumpridas, a multa diária prevista é de R$ 50 mil.

Mau atendimento e série de autuações
As restrições foram aplicadas pelo Procon de Juiz de Fora (MG) contra a agência do banco localizada na Avenida Barão do Rio Branco, no Centro da cidade. Segundo o órgão, a unidade acumula cinco autos de infração registrados entre outubro de 2025 e março deste ano, além de ocorrências anteriores ligadas aos mesmos problemas.

O histórico pesou.

De acordo com o Procon, o banco chegou a participar de uma reunião em abril deste ano e recebeu prazo para apresentar mudanças no atendimento, mas as medidas consideradas necessárias não teriam sido adotadas.

As fiscalizações encontraram filas do lado de fora da agência, idosos aguardando atendimento sob sol e chuva, falta de distribuição de senhas e falhas na organização do fluxo de clientes.

Em períodos de maior movimento de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), as restrições serão ainda maiores. Nos cinco últimos dias úteis de cada mês e nos cinco primeiros do mês seguinte, a agência deverá suspender atividades comerciais consideradas não essenciais e concentrar o atendimento apenas em serviços bancários básicos, pagamentos de benefícios e casos emergenciais.

O órgão afirma que houve piora no atendimento após redução da estrutura física e diminuição do número de funcionários da unidade.

A superintendente do Procon de Juiz de Fora, Tainah Marrazzo disse, em comunicado emitido pela prefeitura da cidade, que as medidas tentam interromper uma “precarização sistemática” no atendimento ao consumidor, principalmente idosos e aposentados.

Procurado pelo iG, o Bradesco disse que não comenta casos “sub judice”, termo usado para processos em discussão na esfera judicial ou administrativa.

Em nota enviada ao iG, o Sindicato dos Bancários de Juiz de Fora e Região afirmou estar preocupado com a situação e ressaltou que o Bradesco, assim como os demais bancos privados, vem adotando em todo o país uma política de fechamento de unidades, reestruturações de cargos e demissões. Veja nota na íntegra:

"O Sindicato dos Bancários de Juiz de Fora e Região vem a público manifestar preocupação diante da situação envolvendo as medidas cautelares aplicadas em uma agência do Bradesco no centro da cidade.

A entidade ressalta que o Bradesco, assim como os demais bancos privados, vem adotando em todo o país uma política de fechamento de unidades, reestruturações de cargos e demissões, processo que se intensificou desde meados da pandemia e que vem sendo constantemente denunciado pelo movimento sindical.

Recentemente, o SINTRAF JF tornou público um balanço do fechamento de agências em Juiz de Fora e cidades da Zona da Mata e Sul de Minas que compreendem a sua base territorial. Somente na cidade, o Bradesco fechou 8 agências de 2017 até abril de 2026. Atualmente, o banco atende os clientes com apenas cinco unidades, sendo duas destinadas a um público específico.

Em busca de ampliar ainda mais seus lucros, os bancos têm desrespeitado clientes e funcionários, promovendo o sucateamento da estrutura física para a população em geral, investindo apenas em segmentos de clientes rentáveis. A redução do número de trabalhadores, o fechamento de agências, a diminuição de caixas presenciais e o incentivo cada vez maior ao uso exclusivo dos aplicativos têm causado impactos diretos no atendimento bancário e nas condições de trabalho da categoria.

Além dos prejuízos aos bancários, essa política também penaliza a população, especialmente idosos, pessoas com dificuldade de acesso às plataformas digitais e clientes que dependem do atendimento presencial.

O Sindicato dos Bancários cumpre seu papel de acompanhar, denunciar e cobrar das instituições financeiras mais responsabilidade e respeito com clientes e trabalhadores. Seguiremos vigilantes na defesa do emprego, de condições dignas de trabalho e de um atendimento bancário de qualidade para toda a sociedade.

Diretoria do Sindicato dos Bancários de Juiz de Fora, Zona da Mata e Sul de Minas."


O iG  também entrou em contato com o Banco Central e aguarda posicionamento. Segundo a Prefeitura, ele também receberia o comunicado da decisão. (Fonte: Último Segundo)

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