Nota Sindical da CONTEC sobre o programa “Talentos para Gerar Resultados – Rede 2026” do Banco do Brasil





NOTA SINDICAL CONTEC

Nesta terça-feira, 27/01/2026, o Banco do Brasil lançou o programa “Talentos para Gerar Resultados – Rede 2026”, apresentado como uma reorganização estratégica da rede, com foco na especialização do atendimento, ampliação dos canais digitais, redimensionamento de estruturas e abertura de oportunidades em funções comissionadas.

Segundo a instituição, a iniciativa busca alinhar o Banco às transformações do mercado financeiro e ao comportamento dos clientes, elevando a eficiência operacional, com promessa de resultados sustentáveis, valorização da especialização e ampliação de trilhas de desenvolvimento profissional.

Do ponto de vista sindical, é imprescindível registrar que o programa não é neutro. Trata-se de reorganização estrutural de grande porte, com potencial para alterar o modelo de trabalho, a lógica das funções, a distribuição de pessoal e o equilíbrio relacional entre o Banco e seus trabalhadores, devendo ser observados a vedação a alterações lesivas e a proteção da dignidade no trabalho.

O programa se estrutura em etapas e janelas decisórias, com regras de concorrência e movimentação capazes de produzir efeitos imediatos na vida funcional dos empregados, além de um cronograma com datas sensíveis (inscrições, rodadas de movimentação, nomeações e posses). Isso exige acompanhamento permanente para prevenir pressões indevidas e assegurar voluntariedade real.

O Rede 2026 consolida tendências já observadas no setor financeiro: redução de funções tradicionais, transformação do papel das agências físicas, foco em segmentos mais rentáveis e intensificação da digitalização e da lógica de metas. Na prática, redefine os conceitos de “permanecer” e “progredir” no Banco do Brasil, condicionando trajetórias profissionais à adaptação, certificações, mobilidade funcional e aceitação de maior cobrança por desempenho.

Principais preocupações sindicais
• Intensificação do trabalho: a especialização tende a vir acompanhada de metas mais sofisticadas, maior pressão por resultados e responsabilização individual, com risco de adoecimento mental, estresse ocupacional e conflitos relacionados à cobrança por performance.
• Impactos sobre funções e renda: ainda que haja Vantagem de Caráter Pessoal (VCP) e regras transitórias, a reestruturação pode gerar excesso, descomissionamento e deslocamento funcional, com risco de perda remuneratória indireta e instabilidade.
• Assimetria de acesso às oportunidades: empregados que já possuem certificações, perfil comercial aderente ou maior mobilidade partem em vantagem, enquanto outros podem enfrentar obstáculos objetivos, gerando exclusão e frustração.
• Requisitos sistêmicos (ex.: adesão a Código de Ética/Normas de Conduta e conclusão de trilhas obrigatórias) não podem operar como barreiras silenciosas. Devem ter comunicação ativa, prazos razoáveis e suporte efetivo.
• Risco de deslocamento da proteção coletiva para a responsabilização individual, enfraquecendo a previsibilidade de carreira.


O programa prevê tratamento excepcional à empregada gestante ou em licença-maternidade. A CONTEC entende que essa proteção deve ser aplicada de forma uniforme e servir de parâmetro para outros grupos em situação de vulnerabilidade quando houver impactos relevantes.

Posição da CONTEC
A CONTEC reconhece a necessidade de adaptação do Banco e eventuais ganhos da especialização, mas não admite que esse processo ocorra à custa da saúde, da renda, da dignidade e da segurança dos trabalhadores.

Por isso, a Confederação propõe a instalação de mesa permanente de acompanhamento e negociação do programa, com transparência de critérios e salvaguardas efetivas de voluntariedade, isonomia, proteção remuneratória e prevenção de adoecimento.

A CONTEC apresentará  pauta prioritária de negociação (anexo) e solicitará sua apreciação e negociação formal pelo Banco, no âmbito da mesa permanente, com calendário definido, registro de encaminhamentos e devolutivas.

Síntese
Trata-se de movimento estrutural de alto impacto, que exige vigilância, diálogo efetivo e garantias concretas — e não apenas normativas — de proteção aos trabalhadores, para impedir precarização, pressão psicológica, redução remuneratória, retaliação ou exclusão funcional. (Fonte: Contec)

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