Itaú Unibanco inaugurou um Espaço Uniclass na Avenida Paulista (Por PressWorks — São Paulo)
Apesar da digitalização dos serviços financeiros, instituições financeiras replicam uma tendência global e reforçam a importância de espaços presenciais para relacionamento, experiência do cliente e atração de talentos.
Nos últimos anos, o setor financeiro viveu uma revolução digital que reduziu significativamente a dependência de agências e escritórios físicos. Contudo, uma nova fase parece estar em curso: grandes instituições financeiras no Brasil e no exterior estão novamente direcionando investimentos relevantes para a expansão e modernização de espaços físicos, sinalizando que a presença presencial continua sendo estratégica em um mundo cada vez mais digital.
No cenário brasileiro, esse movimento pode ser observado nos planos de expansão de importantes bancos digitais e tradicionais. O Nubank, por exemplo, anunciou um plano de mais de R$ 2,5 bilhões em investimentos nos próximos cinco anos para ampliar sua rede de escritórios no país, com foco em cidades como São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro e Belo Horizonte e para apoiar um modelo híbrido de trabalho que deve entrar em vigor a partir de julho de 2026, quando boa parte do time retornará ao escritório por alguns dias da semana.
Essa estratégia vai além da operação interna: os novos espaços incluem áreas de convivência, inovação e centros de cocriação com clientes, o que reforça o papel do espaço físico como ponto de encontro e colaboração.
Outro exemplo recente vem do Itaú Unibanco, que inaugurou um Espaço Uniclass na Avenida Paulista, concebido como um ambiente híbrido entre relacionamento, consultoria e experiências imersivas, aberto inclusive a não clientes. Diferentemente de uma agência tradicional, o objetivo é oferecer atendimento consultivo, espaços de diálogo sobre finanças e atividades que vão além das transações bancárias rotineiras.
De forma semelhante, mercados internacionais também demonstram essa tendência. Nos Estados Unidos, grandes bancos como o Bank of America anunciaram planos de abrir dezenas de novas agências nos próximos anos, reforçando a importância de pontos físicos mesmo em um contexto de forte digitalização dos serviços.
Segundo Nikolas Matarangas, CEO da Be In, esse movimento é atribuído a vários fatores, entre eles a necessidade de construir relação de confiança com clientes, oferecer atendimento consultivo personalizado e criar espaços que reforcem a cultura e identidade da marca.
Ele ainda complementa afirmando que essa volta ao investimento em espaços físicos está alinhada à forma como as empresas enxergam o valor do ambiente de trabalho e de atendimento. "A presença física não perde relevância simplesmente porque o digital cresce. Pelo contrário: quando desenhada com propósito, o espaço físico fortalece o vínculo com clientes, melhora a experiência dos colaboradores e cria pontos de encontro que ampliam a confiança e a percepção de valor da marca", explica Nikolas.
Para o CEO, a combinação entre digital e presencial, em vez de um contraponto, é o que tem sustentado essa nova fase de investimentos. "A expansão de escritórios e hubs de relacionamento reflete a necessidade das instituições financeiras de criar experiências completas e conectadas", conclui.
Enquanto a tecnologia continua facilitando transações remotas, a busca por conexão humana, expertise consultiva e experiências diferenciadas tem levado bancos a reavaliar o papel de seus espaços físicos, não como um custo operacional obsoleto, mas como um elemento estratégico para crescimento, relacionamento e competitividade. (Fonte: Valor Econômico)
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