Fim da escala 6x1 tem apoio de 7 em cada 10 brasileiros, mostra pesquisa Quaest




Relatório sobre redução da jornada de trabalho deve ser apresentado nesta quarta (20) na Câmara. Quando proposta inclui corte de salário, apoio cai para 60% (Por Cristiane Gercina)

Sete em cada dez brasileiros apoiam o fim da escala 6x1 —seis dias de trabalho e um de descanso—, segundo pesquisa Genial Quaest realizada entre os dias 8 e 11 de maio. O levantamento ouviu 2.004 brasileiros acima de 16 anos em todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.

O fim da escala recebeu o apoio de 68% dos entrevistados. Em dezembro, 72% haviam sido a favor de reduzir a jornada. São contra a mudança 22% dos entrevistados e 7% não sabem ou não responderam.

A redução da jornada de trabalho sem diminuição do salário está sendo debatida por comissão especial na Câmara dos Deputados. O relatório do deputado Leo Prates (Republicanos-BA) deve ser apresentado nesta quarta-feira (20). A previsão é alterar três pontos da Constituição, diminuindo a jornada de 44 horas para 40 horas semanais, com escala 5x2 e sem corte de salário.

Os resultados são similares aos de pesquisa Datafolha realizada em março, quando 71% dos entrevistados disseram ser favoráveis à diminuição da jornada.

O conhecimento dos brasileiros sobre os debates pelo fim da escala também foi medido. Do total, 43% disseram acompanhar de perto, 29% afirmam que só ouviram falar e 27% disseram que não têm acompanhado. Apenas 1% não sabe ou não respondeu.

Os mais escolarizados acompanham mais de perto as discussões. A pesquisa mostra que 55% dos que têm ensino superior disseram estar acompanhando os debates. Entre os que têm ensino médio o total é de 48% e de 30% entre os que têm apenas o ensino fundamental.

O levantamento mostra ainda que o cenário eleitoral pode estar influenciando os trabalhadores, com debates mais acirrados sobre apoio entre a direita e a esquerda e o custos para a redução da jornada. Dos que apoiam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 76% se dizem favoráveis ao fim da escala 6x1. Em dezembro, eram 92%.

Na esquerda não lulista, o apoio se mantém o mesmo, 89% em dezembro e 88% agora. Entre a direita não bolsonarista houve estabilidade. O total dos que apoiam o fim da escala 6x1 é de 55%. Em dezembro, era de 52%. A margem de erro para os recortes por apoio político é maior, de cinco ou seis pontos percentuais, a depender da região do país.

Quando se trata de cortar jornada e salário, cai o total dos que apoiam o fim da escala 6x1. Neste caso, 60% (6 em cada 10) dizem que são a favor, 39% são contra e 4% não souberam ou não responderam. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral e protocolada sob o número br-03598/2026, no dia 7 de maio.

Pesquisa da Quaest realizada em junho de 2025 mostrou que o fim da escala 6x1 era o "projeto" mais conhecido dos brasileiros em relação ao governo Lula embora o presidente não houvesse apresentado proposta e o que tramitava no Congresso era PEC (proposta de emenda à Constituição) da deputada Erika Hilton (PSOL), que surgiu após debates com o Movimento VAT (Vida Além do Trabalho).

Em termos de popularidade, o fim da escala supera iniciativas do próprio governo, como isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000, ampliação do programa Vale Gás e isenção da conta de luz para inscritos no CadÚnico (Cadastro Único dos Benefícios Sociais).

O que deve mudar na Constituição?
O primeiro ponto da Constituição a ser alterado pela PEC é o parágrafo 13 do artigo 7º, onde se lê que a jornada é de 44 horas e será alterada para 40 horas.

A redação deve ficar da seguinte forma: "duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho".

"Lembrando que eu quero dizer que nós estamos tratando de diminuição do teto máximo e não de compressão de jornada. Quem tá abaixo de 40 continua com a sua jornada de trabalho", afirmou.

O outro ponto a ser mudado está no parágrafo 15 do mesmo artigo, que trata sobre o repouso semanal remunerado. Como o acordo é para aprovação da escala 5X2, onde se lê na Constituição que há o direito ao repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos, deverá haver a expressão "direito a dois repousos semanais remunerados, um deles preferencialmente aos domingos".

O terceiro ponto deve ser incluir um veto à redução de salário, com punição a quem descumprir. Segundo ele, caso seja estabelecida uma regra de transição para adaptação das empresas, aquelas que reduzirem salários em descumprimento da norma perderão o direito a qualquer benefício ou flexibilização previsto nesse período.

Embora afirme ser apenas um taquígrafo do presidente da comissão, deputado Alencar Santana (PT-SP), do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, e do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), Prates deixou claro que as ideias básicas já estão sendo delimitadas por ele. "Essas seriam as ideias básicas", disse.

Entenda o fim da escala 6x1
As mudanças na Constituição estavam sendo debatidas no Congresso por meio de duas PECs, a 8/2025, da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), e a 221/2019, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que foram apensadas. Elas alteram parágrafo 13 do artigo 7º e focam em diretrizes gerais para todos os trabalhadores urbanos e rurais.

As duas reduzem a carga horária de 44 horas semanais para 36 horas semanais. A de Erika, redigida com o Movimento VAT (Vida Além do Trabalho), que trouxe o debate da escala para as redes sociais, institui a escala 4x3. Com acordo entre o governo e a Câmara, a jornada deve ser reduzida para 40 horas. (Fonte: Folha SP)

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