25% dos jovens do início da geração Z deixa emprego antes de completar um ano




Subsecretária de ministério diz que principal causa é demissão, seguida de busca por crescimento profissional. País alcançou 13,9 milhões de jovens ocupados no primeiro trimestre de 2026, superior ao pré-pandemia (Por Gabriela Cecchin) - foto Paulinho Costa feebpr -

Um em cada quatro trabalhadores de 25 a 29 anos, pertencentes ao início da geração Z ("early gen Z") permanece menos de um ano no mesmo emprego no Brasil. Entre os jovens de 18 a 24 anos, a proporção sobe para 38,2%, enquanto mais da metade (52%) dos adolescentes de 14 a 17 anos deixa a vaga antes de completar 12 meses.

Os dados fazem parte do Diagnóstico da Juventude Brasileira, estudo do Ministério do Trabalho e Emprego lançado nesta quinta-feira (25) e elaborado a partir do cruzamento de informações da Pnad Contínua, da Rais e de dados do eSocial.

Para Paula Montagner, subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho do ministério, os motivos da rotatividade variam conforme a faixa etária. Entre adolescentes de 14 a 17 anos, é mais comum que o próprio jovem desista da vaga. Já entre trabalhadores de 18 a 24 anos predominam os desligamentos sem justa causa.

A subsecretária afirma, porém, que parte dos jovens também deixa o emprego ao não enxergar perspectivas de crescimento profissional. "Quando ele vê que a empresa não vai apostar nele, que ninguém o apoia ou valoriza seu trabalho, ele procura outra oportunidade", disse em entrevista à Folha.

Segundo Montagner, os trabalhadores mais novos têm hoje mais acesso à informação sobre carreiras e tendem a buscar vagas que ofereçam possibilidade de desenvolvimento. "Eu fico muito feliz de ver a geração mais jovem buscando condições melhores de trabalho", afirmou.

O país alcançou 13,9 milhões de jovens ocupados no primeiro trimestre de 2026, número 569 mil superior ao registrado antes da pandemia. No mesmo período, a taxa de desemprego da população jovem caiu pela metade em relação ao pico observado em 2021.

Além disso, a taxa de formalização atingiu 57,8% dos ocupados no primeiro trimestre de 2026, enquanto a informalidade recuou para 42,2%. "O jovem de hoje tem clareza. Se tiver oportunidades que ajudem ele a crescer, ele vai atrás", diz Montagner.

O estudo também identificou crescimento do número de aprendizes. O país tinha 708 mil jovens nessa modalidade no início deste ano. Entre eles, porém, persistem diferenças salariais por raça. Segundo o levantamento, aprendizes homens brancos recebem, em média, 8,4% a mais do que aprendizes pardos.

O levantamento aponta que, embora o acesso dos jovens ao mercado de trabalho tenha melhorado nos últimos anos, a permanência nas vagas continua sendo um dos principais desafios.

A pesquisa ainda observou um mercado profissional fortemente concentrado em ocupações de entrada. Dos 13,9 milhões de jovens ocupados entre 14 e 24 anos, cerca de 11,6 milhões (83,5%) trabalham em funções classificadas pelo estudo como generalistas, grupo que reúne ocupações como vendedor, balconista, caixa, recepcionista e auxiliar administrativo.

A situação preocupa a subsecretária, especialmente no caso dos estágios. Segundo ela, parte das empresas pode estar utilizando estudantes como mão de obra barata em vez de oferecer experiências ligadas à formação profissional. O diagnóstico aponta que 7,8 milhões de jovens recebem até 1,5 salário mínimo.

Os dados mostram ainda que 6,2 milhões não estudavam nem trabalhavam no primeiro trimestre de 2026. O contingente cresceu 12,7% em relação ao fim de 2025, movimento que o ministério atribui a fatores sazonais, comuns no início do ano, quando parte dos estudantes conclui etapas de ensino e ainda não ingressou em uma ocupação. As mulheres são maioria nesse segmento.

No entanto, a "geração nem-nem" (que não estuda nem trabalha) caiu em 2025, de acordo com informações da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na última sexta-feira (19).

Os dados mostram que 22,8% das mulheres de 15 a 29 anos não trabalhavam, não estudavam nem frequentavam cursos de qualificação no ano passado, ante 12,4% dos homens.

No total, 17,5% dos jovens brasileiros estavam nessa condição em 2025, abaixo dos 22,4% registrados em 2019. O contingente passou de 11 milhões para 8,2 milhões de pessoas no período. Entre jovens pretos e pardos, o percentual chegou a 19,8%, acima dos 14% observados entre brancos. (Fonte: Folha SP)

Notícias FEEB PR

COMPARTILHAR