Mudança reduz flexibilidade do regime atual, que prevê oito dias por mês de atuação presencial; banco tem mais de 80 mil funcionários no Brasil, dos quais 60% estão no modelo híbrido (Por André Marinho e Circe Bonatelli (Broadcast))
| Resumo O Itaú Unibanco alterará seu modelo de trabalho híbrido, exigindo presença mínima de três dias por semana para funcionários administrativos a partir de 2028 e quatro dias para superintendentes em 2027. A mudança reflete uma tendência no setor financeiro de reavaliar práticas pós-pandemia. O banco também considera alugar novos escritórios em São Paulo, com negociações avançadas para o Alto das Nações e o complexo Esther Towers. Essa movimentação acompanha o retorno de grandes empresas aos prédios corporativos na cidade. |
A mudança reduz a flexibilidade prevista no regime atual, que prevê oito dias por mês de atuação presencial. O banco tem mais de 80 mil funcionários no Brasil, dos quais cerca de 40% atuam presencialmente, com atendimento ao público ou funções que dependem de apoio físico dos escritórios ou agências. Os outros cerca de 60% estão no modelo híbrido, ou seja, dão expediente em casa, mas com a obrigação de comparecer um mínimo de dias aos escritórios.
Em nota, o Itaú diz ter estruturado um período de transição para que as equipes tenham tempo de “adaptar suas rotinas pessoais e familiares de forma gradual, sem sobressaltos”. O banco defende ainda que o novo desenho “preserva o equilíbrio do formato híbrido e está em acordo com boas práticas globais”.
A decisão acompanha um movimento mais amplo no setor financeiro de reavaliação dos sistemas de trabalho adotados após a pandemia. Em julho, o Nubank exigirá dois dias presenciais por semana para os colaboradores, frequência que será ampliada para três em 2027. O anúncio da mudança, no ano passado, chegou a causar reclamações internas, inclusive com demissões de algumas pessoas acusadas de terem feito comentários ofensivos.
Em setembro, o próprio Itaú demitiu cerca de mil funcionários que trabalhavam em regime híbrido ou integralmente remoto, sob justificativa de quebra de confiança na relação profissional.
Banco avalia locação de novos escritórios
Enquanto planeja a transição no modelo de trabalho, o Itaú está avaliando a locação de prédios comerciais em São Paulo. Nesse momento, há duas opções em vista.
Uma delas é o Alto das Nações, edifício mais alto da cidade de São Paulo. O imóvel fica entre a Marginal Pinheiros, a Rua Alexandre Dumas e o prolongamento da Av. Chucri Zaidan, dentro de um enorme complexo onde estão um hipermercado com shopping do Carrefour e outras torres.
O Alto das Nações está nas fases finais das obras, com entrega estimada para o fim deste ano. O empreendimento terá 42 andares e 219 metros de altura, com 98 mil metros quadrados de área para escritórios. O principal dono é a Altre, com 60% do prédio (com quem o Itaú negocia). O segundo maior sócio é o Carrefour Properties, braço de propriedades comerciais da varejista, com 18%. Os outros 22% estão nas mãos da Família Zaffari e da KRE4 Empreendimentos.
A outra opção em análise pelo Itaú é o complexo Esther Towers, da Eztec. O empreendimento está localizado na Chucri Zaidan e é composto por duas torres, com um total de 94 mil metros quadrados. A primeira torre será entregue até o fim deste ano, e a segunda, no fim do ano que vem.
As negociações com os dois empreendimentos estão em fase final, e o Itaú deve tomar a decisão sobre a opção escolhida ainda nesta semana, de acordo com fontes que acompanham o processo. Procuradas, as partes não comentaram.
Não haverá mudanças em relação à principal sede administrativa do banco, o Itaú Unibanco Centro Empresarial, mais conhecido pela sigla Ceic, em Jabaquara.
Prédios corporativos voltam a atrair grandes inquilinos
A movimentação do Itaú faz parte de um novo ciclo do aquecimento do setor de prédios corporativos em São Paulo, que está atraindo de volta os grandes inquilinos, isto é, empresas que assinam contratos de locações de grandes áreas. Na auge da pandemia, entre 2020 e 2021, muitas empresas devolveram seus escritórios. A partir de 2022, começou um movimento de volta, mas que demorou a emplacar.
O retorno foi puxado principalmente pelas pequenas e médias empresas. Mais recentemente, as grandes passaram a tomar a mesma decisão, sendo que os cortes no home office têm sido o principal motor para isso.
O grande exemplo disso foi o Nubank. No começo deste ano, a fintech anunciou que ocupará mais dois novos prédios em São Paulo, sendo um deles na Rua Capote Valente e outro na Rua Oscar Freire, ambos no bairro de Pinheiros. Outra grande tacada foi dada pela gigante de tecnologia Amazon, que acertou um contrato de aluguel para ocupar o Edifício Biosquare, também em Pinheiros, antes mesmo do edifício ficar pronto. (Fonte: Estadão)
Itaú anuncia aumento do presencial e movimento sindical reforça defesa do home office
O movimento sindical defende tecnologia a serviço de todos, e não apenas do lucro, e o home office é um exemplo de como os benefícios tecnológicos podem ser distribuídos.
O Itaú Unibanco anunciou mudanças no regime de trabalho dos funcionários. Após oito anos adotando um esquema de trabalho híbrido, com oito dias de presencial por mês, o banco passará a adotar o presencial quatro vezes por semana para os superintendentes, a partir de janeiro de 2027; e três dias de presencial na semana para os demais cargos, mas apenas a partir do primeiro trimestre de 2028.
O movimento sindical defende que é preciso distribuir os ganhos da tecnologia para todos. Os avanços tecnológicos não podem ser usados apenas a serviço do lucro das empresas, mas devem ser usufruídos por toda a sociedade. E o trabalho em home office, que se tornou possível graças à tecnologia, é um ótimo exemplo de como essa distribuição dos benefícios tecnológicos pode ser feita. Estudos comprovam que o home office melhora a qualidade de vida do trabalhador em diversos aspectos e ainda promove ganhos para a empresa, porque trabalhadores satisfeitos produzem mais e melhor.
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