Grupo Fictor anuncia acordo para compra do Master, em parceria com investidores dos Emirados Árabes




Operação, que precisaria passar pelo crivo do Banco Central, envolve, segundo a empresa, um aporte de R$ 3 bilhões (Por Carlos Eduardo Valim) - foto divulgação - 

A holding financeira Fictor anunciou nesta segunda-feira, 17, ter fechado um acordo para a aquisição do Banco Master, em conjunto com um consórcio formado por investidores dos Emirados Árabes Unidos − que seriam, segundo a Fictor, responsáveis por mais de US$ 100 bilhões em ativos sob gestão. Mas o anúncio não deixa claro quem seriam exatamente esses investidores.

Ainda de acordo com a Fictor, a oferta inclui um aporte imediato de R$ 3 bilhões destinado ao fortalecimento da estrutura de capital do banco. A transação, porém, terá de passar pelo crivo do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

O negócio não contempla o Willbank e o Banco Master de Investimentos, que estariam sendo negociados com outros grupos de investidores.

Este é o segundo anúncio de venda do Banco Master este ano. O primeiro foi feito no fim de março, quando o Banco de Brasília (BRB) informou que compraria 58% do capital total do Master, em um negócio avaliado em R$ 2 bilhões. O negócio, porém, acabou sendo barrado pelo Banco Central em setembro.

O pedido que ainda será submetido ao Banco Central envolve alterações na diretoria estatutária, a formação de um novo conselho de administração e a mudança do nome da instituição, que passaria a se chamar Banco Fictor.

Os sócios principais da holding Fictor são Rafael Góis, Rafael Paixão e Phillippe Rubini. Ela atua nos setores financeiro, de infraestrutura e de negociação de alimentos. O grupo informa possuir mais de 6 mil funcionários e um portfólio com mais de 30 empresas no Brasil, Estados Unidos e Europa. Também tem participado da consolidação do setor frigoríficos no País, por meio da Fictor Alimentos.

O consórcio de investidores anunciou que, após a conclusão das etapas regulatórias, vai adquirir a totalidade das ações de Daniel Vorcaro, dono do Master, e vai apontar um novo presidente para a instituição financeira.

“A operação representa o passo de entrada da Fictor no mercado financeiro brasileiro. Seguimos alinhados às melhores práticas de governança, com foco na distribuição de produtos sólidos e desenhados para responder com precisão às demandas do mercado nacional. Mantemos o que sempre guiou nossa trajetória: investir na economia real.”, afirmou Rafael Góis, em nota.

“Trata-se de uma transação privada, com players complementares e de alcance global. O Banco Master, ao longo dos últimos meses, provou sua força e resiliência, superando desafios significativos”, disse Vorcaro. ”A união dos atuais produtos com a capilaridade de distribuição da Fictor levará o novo banco ao protagonismo no cenário brasileiro, que tanto carece de novos players e de concorrência saudável. Quem sairá ganhando serão os clientes.”

Um banco polêmico

Caso concretizado, o negócio deixará a Fictor com ativos que criaram questionamentos na negociação entre Master e BRB. Não ficou claro, no anúncio feito pela holding, como os passivos bilionários do banco seriam honrados.

O banco de Vorcaro cresceu por meio da distribuição de certificados de depósito bancário (CDBs) com os quais prometia rendimentos aos investidores de até 140% do CDI (os depósitos interbancários). Bancos de primeira linha pagam menos de 100% do CDI nas aplicações.

O principal instrumento de vendas desses CDBs era o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que assegura aos investidores o recebimento de investimentos de até R$ 250 mil por CPF. Esses produtos consumiriam 42% dos recursos do FGC, caso o banco não honre esses compromissos numa eventual quebra.

Além desses recursos, o Master também se tornou conhecido por ter captado recursos junto a fundos de previdência do funcionalismo público. Como mostrou o Estadão em abril, pelo menos cinco fundos de pensão de prefeituras e Estados, do chamado Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), investiram cerca de R$ 1,1 bilhão em títulos emitidos pelo Banco Master, nas chamadas letras financeiras. Apenas o Rioprevidência, do Estado do Rio de Janeiro, investiu R$ 970 milhões.

Após a venda de bens pessoais de Vorcaro e de algumas frentes de negócios do Master que estão em andamento, o banco tem em seus ativos também precatórios e pré-precatórios, além dos CDBs e dos títulos investidos pelos fundos de previdência públicos. O banco não tem divulgado balanços desde março. (Fonte: Estadão)

Notícias FEEB PR

COMPARTILHAR