No dia 1º de maio é comemorado o Dia do Trabalhador, uma data importante para celebrar as conquistas da classe trabalhadora e refletir sobre os desafios que ainda precisam ser superados. Entre as diversas categorias profissionais, os bancários ocupam um lugar de destaque, com uma história marcada por lutas e mobilizações em busca de melhores condições de trabalho e salários justos.
Os bancários são uma categoria com forte organização sindical e têm um papel fundamental na economia do país. Desde o início do século XX, a luta dos bancários tem sido marcada por greves e manifestações em defesa de seus direitos. Em 1924, os bancários realizaram a primeira greve geral da categoria, que durou 21 dias e teve grande impacto na época.
Ao longo das décadas seguintes, os bancários conseguiram importantes conquistas, como a jornada de seis horas diárias em 1951, a participação nos lucros e resultados em 1995 e a regulamentação da profissão em 2012. Além disso, a categoria tem sido protagonista em diversas lutas sociais, como o combate à ditadura militar nos anos 60 e 70 e a defesa dos direitos trabalhistas nos últimos anos.
No entanto, os bancários ainda enfrentam desafios em relação às condições de trabalho e salários. A terceirização, a precarização, fechamento de postos, agências e a automação são questões que afetam diretamente a categoria, que luta para garantir seus direitos e manter o papel estratégico dos bancos na economia.
Brasil perde 37% das agências bancárias em 10 anos e vê exclusão financeira avançar
No dia do trabalhador o Brasil vem assistido a uma redução acelerada no número de agências bancárias, movimento que vem impactando diretamente o acesso da população a serviços financeiros. Reportagem publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, no último dia 22 de março, mostra que o total de unidades caiu 37% em dez anos, chegando a pouco mais de 14 mil em todo o país.
Segundo o levantamento, baseado em dados do Banco Central e do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), 638 municípios ficaram sem qualquer agência bancária desde 2015, deixando cerca de 6,9 milhões de pessoas desassistidas. Atualmente, 2.649 cidades brasileiras, o equivalente a 48% do total, não contam com atendimento presencial. Em termos populacionais, isso afeta 19,7 milhões de brasileiros, ou 9% da população.
O processo se intensificou nos últimos anos, impulsionado pela busca por lucros cada vez maiores no setor financeiro. Ao todo, quase 6 mil agências tradicionais foram fechadas, enquanto os bancos passaram a investir em atendimento remoto e em unidades voltadas a públicos de maior renda.
A reportagem também aponta impactos urbanos desse processo. Com o encerramento das atividades, muitos imóveis antes ocupados por agências (geralmente grandes espaços comerciais) permanecem vazios por longos períodos, o que contribui para a degradação de áreas centrais e aumento do risco de vandalismo. Em algumas cidades, como São José do Rio Preto (SP), que perdeu 11 agências em 2025, o poder público já estuda medidas para estimular a reocupação desses espaços.
Outro ponto de destaque é a mudança no perfil do atendimento presencial. Em vez de ampliar o acesso, os bancos têm priorizado a abertura de unidades mais sofisticadas e especializadas, voltadas a clientes de alta renda e serviços mais lucrativos, como investimentos. Esse modelo restringe ainda mais o atendimento físico à parcela mais rica da população, reforçando desigualdades no acesso ao sistema financeiro.
Atendimento presencial segue importante
Apesar do crescimento dos canais digitais, a própria reportagem destaca que o atendimento presencial ainda é essencial. Em 2024, 27% dos pagamentos de contas, 14% das contratações de investimento e 5% das transações bancárias ocorreram em canais físicos. Além disso, houve aumento na contratação de crédito (alta de 11%) e de seguros (crescimento de 6%) nas agências.
Na contramão do Brasil, a reportagem aponta que grandes bancos nos Estados Unidos seguem expandindo sua rede física, buscando ampliar a presença em comunidades de baixa e média renda. Em fevereiro deste ano, o JPMorgan Chase anunciou planos para abrir mais de 160 agências, em mais de 30 estados, além de reformar outras 600 unidades ainda em 2026.
Assim, neste Dia do Trabalhador, os bancários renovam seus votos de luta e resistência, na busca por uma sociedade mais justa e igualitária, onde o trabalho seja valorizado e reconhecido como fonte de dignidade e realização pessoal.
Parabéns Bancários e Bancárias !