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21/06/2017

Trabalhadores da iniciativa privada tem ganho real pela 4ª vez consecutiva

Trabalhadores da iniciativa privada tem ganho real pela 4ª vez consecutiva 


Além disso, em 2017, houve uma queda de 77% nos acordos com redução de salário e de jornada na iniciativa privada 

Em maio, pela quarta vez consecutiva, a maioria dos trabalhadores celetistas da iniciativa privada tiveram ganho real de salários. E apenas 4,1% dos reajustes negociados entre patrões e empregados ficaram abaixo da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), de 4, 1%, nos últimos 12 meses.

Além disso, em 2017, houve uma queda de 77% nos acordos com redução de salário e de jornada. Foram, no total, 151, em 2016, contra 34, neste ano, no período de janeiro a maio. Os dados são do Indicador Salariômetro, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

“Um ponto muito importante é que 95,9% dos assalariados ou repuseram a inflação, ou tiveram ganho real em maio. Percentual que não se via desde meados de 2014, quando apenas 2% tiveram reajuste abaixo da inflação”, destacou o economista Helio Zylberstajn, coordenador do levantamento. De acordo com o estudo, os ganhos reais foram de 1% acima do INPC. “Pode até parecer pequeno, mas é uma alta importante, tendo em vista que a produtividade no país está estagnada há muito tempo”, explicou.

Esses ganhos salariais tendem a permanecer, explicou o economista, já que a previsão é de queda no INPC, a 3,35%, em junho, 3,09%, em julho, 2,73%, em agosto, e 2,69%, em setembro. “Isso é bom para o trabalhador.

O reajuste nominal de maio foi igual ao de abril (5%), mas, com a queda da inflação, o ganho real se ampliou de 0,4% para 1%”, destacou. Outro dado importante, disse, é que os acordos (negociação específica em uma empresa ou grupo de empresas) foram mais favoráveis que as convenções coletivas (quando o sindicato negocia por categorias em todo o país).

Acordos x convenções 
A mediana dos pisos negociados em maio de 2017 foi de R$ 1.127 (20% maior que o salário mínimo, de R$ 937). Nas convenções, o piso mediano foi de R$ 1.081, enquanto, no acordo, de R$1.155. Em maio, quem participou dos acordos teve aumento médio de 5,4%, maior do que os que preferiram as convenções e ficaram com a média de 4%.

O Salariômetro apontou, ainda, que, de julho de 2016 a maio de 2017, o estado com maior ajuste salarial foi o Tocantins (0,42%), seguido de Alagoas (0,20%), Roraima (0,18%), Ceará (0,02%) e Rio Grande do Sul (0,01%). Os que tiveram menos ganhos foram Acre (-3,70%), Amazonas (-0,62%), Espírito Santo (-0,50%), Mato Grosso do Sul e Distrito Federal (-0,01%, ambos).

As categorias com maiores percentuais de reajuste foram as de condomínios e edifícios (1,42%), bancos e serviços financeiros (0,44%), limpeza urbana, asseio e conservação (0,42%), estacionamentos e garagens (0,41%) e bares, restaurantes, hotéis e diversão e turismo (0,21%). Entre os menos contemplados estão os empregados em estação e refino de petróleo (-4,62%), empresas jornalísticas (-1,11%), comércio de derivados de petróleo (-1,05%), publicidade e propaganda (-1%) e refeições coletivas (-0,58%)

Em março de 2017, último dado disponível na Caixa Econômica Federal, segundo Zylberstajn, a folha salarial dos celetistas no país chegou a R$ 101,7 bilhões, cifra 2,2% menor que a observada em fevereiro anterior (R$ 104 bilhões) e 0,9% menor que a de março de 2016 (R$ 102,6 bilhões). (Fonte: Correio Braziliense)