Setor financeiro enfrenta uma tentativa de fraude a cada nove segundos
Ataques cresceram 9,5% no primeiro semestre deste ano, diz pesquisa da Serasa Experian. Os dados ilustram um cenário de crescente preocupação do setor com o avanço das atividades fraudulentas (Por André Marinho) - foto reprodução - As tentativas de fraude no setor financeiro cresceram 9,5% no primeiro semestre em comparação com igual período do ano passado, mostra pesquisa da Serasa Experian obtida com exclusividade pela Coluna. No período, foram 1,7 milhão de investidas em processos de validação de identidade, o equivalente a uma ofensiva fraudulenta a cada nove segundos.
Em relação à segunda metade de 2025, o avanço nas ocorrências é ainda mais expressivo, de 14%. Os números incluem ofensivas registradas contra bancos e emissores de cartões, instituições financeiras e de meios de pagamentos. O levantamento analisa informações cadastrais, documentos, biometrias e dispositivos para validação de identidade.
O maior crescimento semestral veio das financeiras, empresas voltadas à oferta de crédito, empréstimos e financiamento, geralmente para pessoa física. As tentativas saltaram 22% no comparativo anual nos seis primeiros meses de 2026 e superaram a marca de 50 mil.
Meios de pagamentos são os mais atacados
Em termos absolutos, porém, a liderança fica com as companhias de meios de pagamentos, que viabilizam a aceitação e processamento de transações no comércio, incluindo maquininhas e canais digitais. O segmento observou uma expansão de 11,9% nas investidas fraudulentas, a 1,22 milhão no semestre. Ao todo, concentrou sete em cada dez ocorrência
“Entendemos que não existe uma bala de prata para combater esse tipo de crime. Por isso, adotar múltiplas camadas de proteção desde o início da jornada é fundamental para impedir que o risco avance e se transforme em perdas para empresas e consumidores”, afirma o diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian, Leandro Bartolassi.
A pesquisa indica ainda que o impacto financeiro potencial desses eventos também acelerou em ritmo forte. As tecnologias antifraudes conseguiram evitar R$ 100,4 milhões em prejuízos, uma alta de 95,8% no comparativo anual. As financeiras responderam por R$ 4,2 milhões desse montante, mais que o dobro do verificado na primeira etapa de 2025. Em meios de pagamento ,o valor se aproxima de R$ 66 milhões, enquanto bancos e cartões correspondem a R$ 30,8 milhões no semestre.
Criminosos querem mais
“Os números sugerem que os criminosos não estão apenas tentando mais vezes, mas também mirando oportunidades com maior potencial de retorno financeiro. Uma identidade fraudulenta aprovada na entrada pode ser usada para abrir contas, solicitar cartões, contratar empréstimos ou habilitar serviços de pagamento”, ressalta Bartolassi.
Os dados ilustram um cenário de crescente preocupação da indústria financeira com o avanço das atividades fraudulentas. Em conversas recentes com a Coluna, executivos do setor chegam a descrever a conjuntura como uma “epidemia” de golpes e fraudes, apoiada pela facilidade de meios digitais. Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), os investimentos em tecnologia e segurança de informações devem atingir R$ 50 bilhões este ano, dos quais 10% são voltados à prevenção a fraude. (Fonte: Estadão)
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