Sem votos, Temer adia definição de data para votação de reforma
A expectativa do presidente Michel Temer de conseguir nesta quarta-feira (6) um piso de pelo menos 290 votos e, assim, definir uma data para a votação da reforma previdenciária acabou frustrada. (GUSTAVO URIBE e MARIANA CARNEIRO) Sem reunir apoio necessário, o peemedebista decidiu aguardar os próximos dias para avaliar se será possível votar na próxima semana as mudanças nas regras de aposentadoria. Em reunião com deputados e ministros no Palácio do Alvorada, o presidente concluiu que é necessário mais tempo e disse que fará uma recontagem de votos nesta quinta-feira (6). Pelos cálculos, o Palácio do Planalto conta com cerca de 260 votos, número abaixo dos 308 necessários para aprová-la. Para tentar aumentar o atual placar, Temer promoverá nova rodada de reuniões e abrirá o gabinete presidencial para deputados indecisos e resistentes, mas a expectativa é pessimista mesmo dentro da equipe presidencial. No encontro, o presidente adotou um discurso duro. Segundo relatos de presentes, ele disse que os deputados governistas que não votarem a proposta serão cobrados na disputa eleitoral por manterem privilégios para os servidores públicos. Mesmo com o tom incisivo do peemedebista, os presidentes nacional do DEM, Apesar do apelo do presidente, os líderes governistas não levaram para a reunião um placar de votos favoráveis em suas respectivas bancadas e ficaram de entregar o balança nesta quinta-feira (7). Com a indefinição, o vice-líder do governo Beto Mansur (PRB-SP) admitiu que a votação pode ficar apenas para a terceira semana do mês, dias antes do início do recesso parlamentar, previsto para 23. "Nós temos ainda quinze dias corridos para votar a reforma previdenciária, de 07 a 21 de dezembro. No período, vamos trabalhar para buscar votos", disse. Em vez dos 330 votos fixados antes, admite agora fazer isso com apenas 290. Mansur já reconhece que o governo terá que trabalhar até o último minuto para conquistar votos. A ideia do Planalto, contudo, foi rejeitada pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), responsável por agendar a votação. "Se não tiver voto, melhor não votar", disse. "Não vou votar com expectativa de derrota." Os partidos da base aliada evitaram durante todo o dia fazer promessas ao presidente de fechamento de questão, que é quando a bancada precisa votar unida, com possível punição para quem descumprir a ordem. Só o PMDB e o PTB tomaram a decisão. Integrantes do governo se irritaram com a falta de disposição de alguns líderes em passar a contagem exata de votos de cada partido, como Arthur Lira (AL), líder do PP na Câmara dos Deputados. A bancada do PSD, partido do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, só tem 15 dos 38 deputados convencidos a votar pela proposta, de acordo com o ministro Gilberto Kassab (Comunicações). No PR, o líder da bancada, José Rocha (BA), calcula ter apenas 16 dos 37 deputados. A votação da proposta na Câmara ainda neste ano, como deseja o Planalto, é a primeira etapa. Se aprovada pelos deputados, em dois turnos, a reforma ainda precisa do aval do Senado. (Fonte: Folha.com) |
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Agripino Maia, e do PP, Ciro Nogueira, colocaram em dúvida a possibilidade de se votar ainda neste ano.