Justiça suspende demissão de 66 professores da Universidade Metodista
A 8ª Vara do Trabalho de São Bernardo do Campo suspendeu nesta terça-feira (9) a demissão de 66 professores da Universidade Metodista de São Paulo que haviam sido desligados da instituição em dezembro do ano passado. A decisão da Justiça acata parcialmente uma ação civil pública com pedido de liminar proposta pelo Sinpro ABC (Sindicato dos Professores do ABC), que solicitava a suspensão das demissões e de possíveis novas dispensas; readmissão dos professores demitidos; pagamento dos vencimentos atrasados; abstenção de novas demissões coletivas; e informação nominal de possíveis novos demitidos, além dos motivos para os desligamentos. Na decisão, a juíza Valéria Pedroso de Moraes apenas não tratou do pagamento de vencimentos atrasados. Ela solicitou ainda que a mantenedora da instituição informe à Justiça o nome dos professores demitidos e daqueles que possam ser futuramente dispensados, esclarecendo sempre o motivo de cada um dos desligamentos. A juíza também estipulou multa de 10 mil reais por cada profissional dispensa A Universidade Metodista afirmou, em nota, que a instituição ainda não foi notificada oficialmente sobre a decisão e que só se pronunciará sobre o caso após ser intimada. "Desmonte" e motivação política Estudantes e professores chegaram a afirmar, no entanto, que a instituição estaria passando por um processo de "desmonte". Segundo eles, professores e coordenadores de todos os campi da universidade tiveram suas horas de trabalho reduzidas. Um dos docentes então demitidos foi José Salvador Faro, professor do curso de jornalismo e do programa de pós-graduação em comunicação. Ele afirmou que as demissões seriam um reflexo da implementação de uma "lógica empresarial" na universidade, o que, na avaliação dele, afetaria diretamente a qualidade de ensino e pesquisa. "Na parte acadêmica, isso inclui mudanças curriculares. Estímulo ao EAD [ensino a distância], que é bem mais barato; cursos híbridos, que alternam uma parte forte a distância –você enxuga despesa na parte presencial, com menos aulas físicas, e aumenta aquela parte que tem sido vista pelas empresas de educação como mais vantajosa em termos de lucro", afirmou. Para o Sinpro ABC, a motivação dos desligamentos seria política. Isso porque, segundo o sindicato, a maior parte das demissões foi de profissionais que participaram de assembleias para debater atrasos no pagamento de salários. Segundo Cristiane Gandolfi, diretora do Sinpro ABC e professora do curso de Pedagogia da Faculdade de Educação da Metodista, a instituição teria atrasado diversas vezes o pagamento do salário e outros direitos dos docentes, como FGTS e férias, desde 2015. (Fonte: UOL) |
COMPARTILHE
do a partir de agora caso haja novas dispensas coletivas sem negociação prévia com o sindicato.