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08/05/2017

Governo pressiona partidos a fecharem questão sobre reforma da previdência

Governo pressiona partidos a fecharem questão sobre reforma da previdência

Planalto acredita que, se legendas baixarem regra por votação favorável ao projeto, deputados terão desculpa para se livrarem das cobranças da população nas ruas (Evandro Éboli e Bruna Borges)
O governo acredita ter encontrado a solução para fazer aprovar a reforma da Previdência em dois turnos no plenário da Câmara. A saída é enquadrar ainda mais os aliados convencendo os partidos da base a fechar questão sobre o tema. Fechar questão significa que, quem votar contra a orientação, será punido.
O PMDB caminha para adotar tal medida. Na reforma trabalhista, dos 59 peemedebistas que votaram, 6 foram contra. O governo trata uma eventual decisão do PMDB como “exemplo a ser seguido”. O líder da maioria na Câmara, Lelo Coimbra (PMDB-ES), disse que a pretensão é votar os dois turnos na segunda quinzena de maio.
(Projeto foi aprovado em comissão especial na última quarta-feira pelos deputados. Foto - Antonio Augusto/Câmara dos Deputados)
Enquanto o clima esquentou na votação da Previdência na comissão especial na última quarta-feira (3), um jantar de altas lideranças políticas acontecia na casa do presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), em Brasília. Estavam lá o presidente Michel Temer, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o ministro Antônio Imbassahy (Secretaria de Governo) e outros líderes.
O PSDB é uma preocupação. O partido tem 47 deputados e um número alto de deputados na legenda, entre 15 e 20, pretendem votar contra o texto do relator Arthur Maia (PPS-BA).
O governo entende que o fechamento de questão também é a saída para os que hesitam em votar a favor por receio da opinião pública, e não por convicção.
“Uma decisão do partido em fechar questão será a desculpa do deputado para sua base eleitoral. Ele poderá dizer: ‘não tive outra saída e tive que votar a favor da reforma da Previdência. Ou seria expulso do partido’. É a saída para todos”, acredita um dos líderes do governo na Câmara, que pediu anonimato.
Durante a votação da reforma, na quarta, o líder do PSDB, Ricardo Trípoli (SP), saiu um instante e compareceu ao jantar de Aécio. Ele disse que a bancada ainda resiste e que não está fácil dobrar todos nos partidos, em especial os mais jovens.
A Executiva Nacional do PSDB soltou uma nota nesta quinta (4), reiterando apoio às reformas, mas não vai se antecipar. Para começar a discutir no partido, primeiro, vai aguardar se o PMDB dará de fato esse exemplo. (Fonte: Gazeta do Povo)