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22/06/2017

Governo gasta mais do que economizaria com reforma da Previdência

Governo gasta mais do que economizaria com reforma da Previdência 

Uma das justificativas para projeto seria ajuste das contas da União, mas ajuda a estados e municípios endividados, promovida por Temer e aliados, já ultrapassa o que se pouparia com mudanças de regras para aposentadoria, que prejudicam maioria da população 

Com a ajuda a estados, Distrito Federal e municípios endividados, o governo Temer vai gastar mais recursos da União do que economizará caso seja aprovada no Congresso a reforma da Previdência, que vai tornar a aposentadoria um sonho impossível para a maioria da população brasileira.
Segundo reportagem do Correio Braziliense, a liberação de crédito do BNDES para estados e municípios somada ao alongamento de dívidas e ao novo Refis (programa para ajudar empresas com débitos fiscais com a Receita e INSS) já compromete os recursos da União para os próximos anos em R$ 769 bilhões, enquanto a economia com as mudanças na Previdência chegariam a R$ 600 bilhões, em 10 anos.
A reportagem lembra que nessa conta nem estão as negociações feitas pelo governo com deputados e senadores para garantir o apoio e o voto favorável às reformas, com a aceleração e liberação de emendas parlamentares, por exemplo, “prática comum quando governos se sentem acuados ou precisam acelerar votações de seu interesse no Legislativo”, diz o texto do jornal.  
Além disso, os gastos com a ajuda aos entes da federação provavelmente aumentarão ainda mais com a aprovação, pelo Senado, na terça-feira 20, do PRS 22/2017, que reduz as exigências para que estados, DF e municípios renegociem dívidas ou contratem operações de crédito com garantia da União.
“Enquanto isso, as mudanças propostas vão fazer com que os brasileiros morram trabalhando, sem conseguir se aposentar. Prejudicam a população e nem farão com que o Estado economize de fato”, critica a diretora executiva do Sindicato de SP Marta Soares.
O projeto do Executivo prevê aumentar a idade mínima para 65 anos para todos (homens, mulheres, trabalhadores do campo e da cidade), elevar para 25 anos o tempo mínimo de contribuição para a aposentadoria, e exigir 49 anos de contribuição para ter direito ao benefício integral.
Não há déficit
A dirigente destaca ainda que as justificativas de Temer para a reforma são falsas, e que a Previdência, ao contrário do que diz o governo, não é deficitária. “O governo ilegítimo de Temer faz campanha publicitária procurando convencer a população de que a Previdência vai quebrar sem a reforma. Isso não é verdade.
O problema é que governo e a grande mídia só consideram as contribuições de trabalhadores e empresários à Previdência, mas quando se coloca a contribuição do Estado nessa conta, vemos que a Previdência Social é superavitária desde 2007”, explica Marta, lembrando que o Sindicato lançou cartilha sobre o tema.
“Além disso, se o governo estivesse mesmo preocupado com a Previdência, deveria cobrar a dívida de grandes empresas, como os bancos, que devem R$ 1,3 bilhão”, critica a diretora do Sindicato, referindo-se ao que devem as cinco maiores instituições financeiras (Banco do Brasil, Caixa Federal, Itaú, Bradesco e Santander) à Previdência Social. (Fonte: Seeb SP)