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18/09/2026

Banco Digimais, de Edir Macedo, tem prejuízo de R$ 581,4 milhões no 1º semestre

Índice de Basileia fica negativo em 4,62%, o que mostra as dificuldades enfrentadas pelo banco, que tenta um acordo com o FGC para ser comprado pelo BTG Pactual (Por Álvaro Campos) - foto divulgação - 

O Digimais, banco do bispo Edir Macedo, teve prejuízo líquido de R$ 581,406 milhões no primeiro semestre, conforme dados do sistema IFData, do Banco Central. Com isso, o índice de Basileia ficou negativo em 4,62%, o que mostra as dificuldades enfrentadas pela instituição, que tenta um acordo com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para ser comprada pelo BTG Pactual.

Os ativos do banco ficaram em R$ 9,853 bilhões, com queda de 1,6% na comparação com junho do ano passado. Dentro desse volume, há R$ 1,456 bilhão em operações de crédito, R$ 2,713 bilhões em outros ativos realizáveis, R$ 3,197 bilhões em títulos e valores mobiliários e R$ 1,951 bilhão em aplicações interfinanceiras de liquidez.

Já os passivos do Digimais somavam R$ 9,522 bilhões, com alta de 2,0% na comparação com um ano atrás. Desse total, R$ 8,692 bilhões são depósitos, que são garantidos pelo FGC.

Quando uma instituição fica com o índice de Basileia abaixo do mínimo regulatório, de 10,5%, o Banco Central exige a apresentação de um plano, com cronograma claro e adequado, para solucionar o problema. Fontes com conhecimento do assunto apontam que o Digimais não tem dificuldade de caixa e que Macedo tem condições de fazer aportes para aliviar o capital, mas que busca outras saídas, como a venda para o BTG.

Em abril, o BTG anunciou que celebrou documentos vinculantes para a aquisição do controle acionário do Digimais. Segundo o BTG reforçou ao divulgar seu balanço, no mês passado, a celebração desses documentos tem por objetivo estabelecer um valor de referência e determinadas condições para a alienação da totalidade das ações do Banco Digimais e de outros direitos correlatos, no âmbito de um processo competitivo — um leilão — a ser lançado pelo FGC.

Assim, a compra do Digimais pelo BTG depende de um empréstimo do FGC e desse leilão, que será feito no modelo de “stalking horse”, ou seja, outros players poderiam ofertar um lance maior que o BTG. Fontes com conhecimento do assunto dizem que as conversas estão emperradas e que esse processo competitivo ainda está longe de ser lançado. O FGC não tem pressa, até porque, se o banco não está mais captando e segue honrando suas dívidas, a tendência é que o passivo vá diminuindo com o tempo. A questão é se o interesse do BTG permanecerá de pé.

Em junho, o Digimais foi alvo da Operação Miragem, da Polícia Federal, deflagrada para investigar possíveis casos de fraude na instituição. As investigações foram feitas a partir de relatórios do BC que apontam que os investigados teriam manipulado demonstrativos contábeis e registros regulatórios para ocultar a real situação financeira da instituição, aparentar solvência perante os órgãos de controle e viabilizar operações supostamente irregulares.

Procurado, o Digimais não se manifestou.

Mesmo antes da operação da PF, o FGC vinha pedindo documentações adicionais de BTG e Digimais e, mais recentemente, a Kroll foi contratada para avaliar o balanço do banco de Macedo. As negociações também contam com intermediação da Legend Capital, que já havia sido contratada pelo Digimais para encontrar um comprador anos atrás. Foi quando acabou levando para o conselho de administração do banco a ex-presidente da Caixa Daniella Marques. (Fonte: Valor Econômico0

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