Parceria entre bancos UBS e BB: que o negócio é bom para UBS não há dúvidas! Mas e quanto ao Banco do Brasil?




O Banco do Brasil anunciou a assinatura de memorando de entendimentos com o banco suíço UBS “para estabelecimento de parceria estratégica em atividades de banco de investimentos e de corretora de valores no segmento institucional no Brasil e em determinados países da América do Sul”. Pela proposta, a parceria asseguraria acesso a base de relacionamento do BB no país e às estruturas globais de execução e distribuição do UBS.

A notícia, agora confirmada pela divulgação de fato relevante ao mercado, parece configurar oportunidade buscada pela UBS, que tenta ampliar a sua presença no mercado brasileiro há bastante tempo.

O esforço do banco suíço remonta à aquisição, em 2006, do banco de investimentos Pactual, que tem o ministro da economia Paulo Guedes como sócio fundador.

O negócio entre Pactual e UBS foi configurado de forma a que executivos do Pactual assumissem posições no UBS Pactual no exterior. André Esteves, por exemplo, tornou-se o Chefe Global de Renda Fixa.

Todavia, três anos depois, devido à crise internacional de crédito de 2008, o suíço UBS, que dentre os bancos europeus foi o mais duramente atingido, tendo acumulado prejuízo de US$ 20 bilhões, informou a venda do UBS Pactual como estratégia para reduzir o perfil de risco e fortalecer sua base de capital.

Os banqueiros brasileiros, entre os quais Guedes e André Esteves, readquiriram o controle do banco, que teve o nome alterado para BTG Pactual. O valor da reaquisição foi, praticamente, o mesmo da venda.

BB Investimentos ameaçado no arranjo entreguista
BB Banco de Investimentos, subsidiária controlada pelo Banco do Brasil, teve um resultado líquido de R$ 1.258,1 milhões em 2018, o que configura um retorno de 40,3% ao ano sobre o PL médio. Esse resultado decorre, basicamente, das participações acionárias, atividades de prestação de serviços e intermediação financeira.

Segundo dados da empresa de análises Refinitiv, o BB está em 10º lugar no ranking de emissão de ações e o UBS está em 21º lugar na assessoria a fusões e aquisições e em 9º lugar na emissão de ações no ano até o início de setembro.

O arranjo proposto com a criação da “joint venture” tende a repassar as operações de investimento e corretagem ao “parceiro” privado, visto que o UBS se torna acionista majoritário dessa nova empresa, com participação de 50,01%.

Além de criar uma empresa com as mesmas atribuições de suas subsidiárias, o Banco do Brasil, maior gestor de recursos de terceiros do país, em valor da ordem de R$ 1 trilhão, ainda oferecerá à joint-venture sua rede de distribuição composta de 4.700 agências, com 90 mil funcionários, e toda a sua base de relacionamento de 36 milhões de clientes.

Tudo isso para dividir com o “sócio estratégico” o lucro de sua subsidiária, que será desmontada.

Risco para o BB, vantagem par o UBS

Por trás dessa parceria, riscos enormes podem ocorrer, como na história da Max Blue, parceria semelhante que fracassou no ano de 2001. Os R$ 200 milhões de prejuízo trazidos a valor presente, corrigidos pela Selic, é algo próximo a R$ 1 bilhão.

Também se faz necessária uma análise em relação à corretora do Banco do Brasil, a BBDTVM. O memorando de entendimentos da parceria BB e UBS também envolve as atribuições dessa importante subsidiária do banco público.

No passado, em 1999, por força da regulação da época, a BB DTVM, que tinha sua estrutura misturada às do BB, foi obrigada a separar a estrutura de recursos dos clientes próprios com a dos gerais.
Com isso, a BB DTVM deu enorme salto transformando-se na maior gestora de recursos de terceiros da América Latina, com administração feita por funcionários cedidos do BB. A empresa é controlada pelo Banco do Brasil.

Portanto, chama atenção a justificativa do BB em criar uma corretora, por meio da joint-venture. A prática atual de atuação é a contratação corretoras através do cadastramento de um certo número de empresas, com avaliação de performance e critérios técnicos de escolha dentre as opções cadastradas. Constantemente o banco avalia a performance e elimina as três piores, subindo as três do cadastro de reservas.

O que se percebe em conversas reservadas é que a opção do BB por não associar-se a uma corretora deve-se a riscos de corrupção decorrentes de desvios provocados lá na ponta por interesses privados. Daí a razão de o BB nunca ter avaliado a hipótese de ter somente uma corretora parceira.

Outra questão que salta aos olhos em relação á parceria BB e UBS diz respeito às necessidades da empresa privada para atuar em determinados negócios, precisando aumentar sua estrutura de capital. Com a parceria com BB, isso fica superado em decorrência do empréstimo fonte.

Nesse momento, O UBS está perdendo posição no mercado, numa situação que não é muito boa. Logo, a quem interessa de fato essa parceria?

“É sintomático que essa ‘parceria’ esteja acontecendo nesse momento, nessas bases, exatamente pelas mãos de Paulo Guedes, o banqueiro ultraliberal defensor da privatização sem limites e que ora controla o conselho de administração do BB”, observa o presidente do Sindicato, Kleytton Morais.

Já o secretário de imprensa do Sindicato, Rafael Zanon, alerta para o fato de que “o objetivo do governo é esvaziar as atribuições das subsidiárias controladas pelo banco público, passando seus serviços para uma empresa controlada por acionista privado, não sujeita a regime de contratação via concurso nem a outras regras e controles de empresas públicas, como fiscalização por órgãos reguladores ou exigência de licitação para contratação de serviços”. (Fonte: Seeb Brasília)

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