Poder de compra do trabalhador perde para a inflação: salário fica defasado ano a ano




Preço de alimentos básicos cresce até cinco vezes mais que o salário mínimo (Por Rodolfo Luis Kowalski)

A inflação, conforme o Banco Central do Brasil (BCB), é o aumento dos preços de bens e serviços, causado por situações como pressões de demanda e aumento nos custos, entre outros fatores (como emissão de papel-moeda e diminuição da taxa de juros). Trata-se de um conceito importante em nosso dia a dia porque diz respeito a uma diminuição no poder de compra da moeda.

Um exemplo pode ajudar a ilustrar o conceito. Imagine alguém que ganhava o piso salarial no Paraná em 2016 e em 2021. Num ano ele recebeu, mensalmente, R$ 1.148,40. No outro, R$ 1.467,40. Teve um aumento de 27,78%, portanto.

Seu poder de compra, no entanto, não cresceu na mesma medida que o salário nominal.

Em junho de 2016, conforme informações do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), uma cesta básica de alimentos (o conjunto de produtos essenciais para uma família se manter durante um mês) em Curitiba custaria R$ 416,49. Cinco anos depois, esse valor já está em R$ 618,57, um aumento de 48,52% — uma diferença de 20,74 pontos porcentuais em relação ao reajuste do salário mínimo no Paraná no mesmo período.

Há, então, um cenário no qual, em 2016, alguém que recebia o salário mínimo conseguiria adquirir 2,76 cestas básicas; já em 2021, quem recebe o piso salarial, mesmo num valor nominalmente maior, consegue comprar 2,37 cestas básicas.

Óleo de soja, carne bovina, ovos e arroz acumulam as maiores altas
Com base nos dados coletados pelos programas Disque Economia e Clique Economia, da Prefeitura de Curitiba, o Bem Paraná consultou o preço de alguns alimentos básicos em duas datas diferentes: 19 de julho de 2016 e 19 de julho de 2021. E o levantamento mostra como o prato nosso de cada dia está cada vez mais caro, com alguns itens tendo subido até 144% (cinco vezes mais que o piso salarial no Paraná, portanto).

O campeão da inflação é o óleo de soja. Em 2016, uma lata de 900 ml do produto custava R$ 3,12 nos mercados de Curitiba. Ontem, já estava saindo por R$ 7,62 (+143,91%).

Na segunda posição aparece a carne bovina, com alta de 130,32% entre as duas datas analisadas. Num ano o quilo do patinho sem osso era vendido a R$ 18,72. Em 2021, o preço médio é de R$ 43,12.

Na sequência aparecem ainda a caixa de ovos e o arroz parboilizado, com altas 55,68% e 52,74%. Anos atrás, o pacote de cinco quilos de arroz custava R$ 12,49 e dúzia de ovos, R$ 4,69. Ontem, os produtos já estavam custando R$ 19,08 e R$ 7,30, respectivamente.

Salário mínimo no Paraná
2016: R$ 1.148,40 a R$ 1.326,60
2017: R$ 1.223,20 a R$ 1.414,60
2018: R$ 1.247,40 a R$ 1.441
2019: R$ 1.306,80 a R$ 1.509,20
2020: R$ 1.383,80 a R$ 1.599,40
2021: R$ 1.467,40 a R$ 1.696,20

Variação 2016-21: 27,78% e 27,86%
Custo da cesta básica em Curitiba
(junho de cada ano)
2016: R$ 416,49
2017: R$ 394,49
2018: R$ 412,44
2019: R$ 446,54
2020: R$ 506,04
2021: R$ 618,57
Variação 2016-21: +48,52%

Preço dos alimentos em Curitiba (preços médios em 19/07/2016 e 19/07/2021)

Óleo de soja (lata de 900 ml)
2021: R$ 7,62
2016: R$ 3,12
Variação: +143,91%

Arroz parboilizado (pacote de 5 kg)
2021: R$ 19,08
2016: R$ 12,49
Variação: +52,74%

Leite longa vida integral (caixa de 1 litro)
2021: R$ 3,97
2016: R$ 3,79
Variação: +4,94%

Carne bovina (granel 1 kg)
2021: R$ 43,12
2016: R$ 18,72
Variação: +130,32%

Feijão preto (pacote de 1 kg)
2021: R$ 6,91
2016: R$ 6,18
Variação: +11,75%

Açúcar refinado (pacote de 1 kg)
2021: R$ 3,66
2016: R$ 2,59
Variação: +41,24%

Farinha de trigo (pacote de 1 kg)
2021: R$ 3,47
2016: R$ 3,27
Variação: +6,04%

Café a vácuo Mellita (pacote 500g)
2021: R$ 11,68
2016: R$ 9,80
Variação: +19,17%

Ovos tipo grande branco (uma dúzia)
2021: R$ 7,30
2016: R$ 4,69
Variação: +55,68% (Fonte: Bem Paraná)

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