O que os consumidores podem fazer para escapar dos juros altos?




(Vinicius Pereira) 

Quem já precisou tomar dinheiro emprestado sabe que, ao fim do prazo, o total pago será muito maior que o de fato emprestado. Isso porque os juros no país são muito altos, e quem sofre é quem precisa de um dinheiro extra.

Mesmo com a taxa básica de juros (Selic) no menor nível histórico, os juros de financiamentos chegam a passar de 300%, como no cheque especial.

Segundo especialistas consultados pelo UOL, é difícil para as pessoas comuns fugir dos juros exorbitantes. Mas, enquanto essa realidade se mantém, as pessoas precisam buscar alternativas para tentar pagar menos aos bancos. Veja algumas dicas a seguir.

CRÉDITO CONSIGNADO 
Uma opção é o crédito consignado. Os juros são menores porque o desconto é realizado diretamente no contracheque, diminuindo assim o risco de inadimplência.

Segundo o Banco Central (BC), enquanto um funcionário de uma empresa privada consegue captar dinheiro a 29,59% ao ano no crédito consignado na Caixa, a taxa vai a 71,04% no crédito pessoal não consignado no mesmo banco.

É uma forma de conseguir dinheiro mais barato, mas é preciso cuidado e planejamento porque o crédito consignado come seu salário.

FINTECHS 
Outra forma de fugir dos juros dos grandes bancos é buscar as fintechs, ou seja, empresas de tecnologia do setor financeiro.

Mesmo em produtos tradicionais, como crédito consignado, as fintechs geralmente oferecem taxas mais em conta que os grandes bancos.

"Hoje temos um grande avanço das fintechs que conseguem oferecer juros mais baixos graças à operação mais enxuta e gastos menores", disse Virginia Prestes, professora da Faap (Faculdade Armando Álvares Penteado), de São Paulo, e especializada em finanças pessoais.

Normalmente, essas empresas, como o Nubank ou o Banco Inter, não contam com agências físicas, e os processos são todos automatizados.

Além disso, há outras empresas que oferecem crédito de maneiras mais modernas. Algumas delas são Biva, Nexoos e Me Empresta, que trabalham com o conceito de "peer-to-peer-lending", que é a prática de emprestar dinheiro entre pessoas ou empresas por meio dessas fintechs. As condições variam de acordo com os clientes, mas os juros vão de 1% a 3% ao mês, em média.

COOPERATIVAS DE CRÉDITO
Outra alternativa é apelar às cooperativas de crédito. Essas empresas, em que todos os associados são "donos" do negócio, conseguem oferecer taxas mais baratas que bancos tradicionais pois não visam apenas o lucro final.

"Elas costumam ter um conceito de empresa mais solidário, sem taxas tão altas", afirmou Ricardo Natali, educador financeiro da Abefin (Associação Brasileira dos Educadores Financeiros).

De acordo com o BC, em alguns produtos, como o caso do empréstimo pessoal, os juros chegam a menos da metade dos cobrados nos grandes bancos.

Na Unicred, por exemplo, a taxa para empréstimos pessoais fica em torno dos 23% ao ano, enquanto no Itaú Unibanco, por exemplo, chega a 75% ao ano, em média.

PAGUE A CONTA INTEIRA DO CARTÃO 
Se a taxa de juros é vilã dos empréstimos no Brasil, tomar dinheiro do cartão de crédito, então, é considerado ato grave para dez entre dez educadores financeiros.

Segundo especialistas, a recomendação é sempre pagar a fatura cheia e jamais financiar algo no cartão. Os juros do rotativo do cartão chegam a 663% ao ano, segundo dados do BC.

"A pessoa que precisa recorrer a algum empréstimo deve entender que algo deu errado na vida e no orçamento dela. Não há problema em pegar um empréstimo desde que você consiga analisar isso. Mas sempre fuja do cartão e do cheque especial. Nunca estoure seu limite, pois as taxas são sempre acima dos 200% ao ano", disse Natali.

SE PUDER, OFEREÇA MAIS GARANTIAS
Os bancos não querem correr risco e cobram juros mais altos se acharem que pode haver calote. "Os juros variam de acordo com risco ou garantia. Quanto maior o risco o cliente oferece para o banco, mais o banco vai cobrar os juros dele", afirmou Marcelo Prata, especialista em crédito.

Diminuir o risco, portanto, é um paliativo importante. Não é todo mundo que tem um bem de valor, mas é possível conseguir um empréstimo oferecendo garantias, com carro ou imóvel, por exemplo, ou até mesmo o FGTS. Como o risco de calote é menor, as taxas costumam ser mais amigáveis.

Usando o imóvel como garantia, por exemplo, as taxas ficam em torno de 20% ao ano, enquanto o crédito do setor privado tradicional fica acima dos 40% ao ano, de acordo com especialistas. (Fonte: UOL)

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